Agosto Azul: há 13 anos promovendo a saúde integral do homem no Paraná

Criada há 13 anos, a campanha Agosto Azul tem como objetivo principal conscientizar os homens sobre a importância do cuidado com a própria saúde — física e mental. A iniciativa foi instituída pela Lei Estadual nº 17.099/2012, de autoria da deputada estadual Cantora Mara Lima (Republicanos), e se consolidou como um marco na saúde pública do Paraná.

“Culturalmente, os homens resistem mais a procurar ajuda médica, e isso os expõe a riscos maiores. O Agosto Azul é um chamado à responsabilidade, à vida e à consciência sobre a importância de se cuidar. Ninguém está imune a ter problemas de saúde, e cuidar de si mesmo é um ato de coragem, não de fraqueza!”, afirma a parlamentar.

A resistência masculina ao cuidado com a saúde está refletida nas estatísticas. Dados do Ministério da Saúde indicam que 70% dos homens que procuraram atendimento médico o fizeram motivados por esposas ou filhos. Mais da metade chegou ao consultório com doenças já em estágio avançado. Em média, os homens vivem sete anos a menos que as mulheres — expectativa de 73,1 anos contra 79,7 anos, segundo dados de 2023.

A legislação estabelece diretrizes para campanhas de esclarecimento, exames preventivos e ações educativas, com foco especial em áreas como cardiologia, urologia, saúde mental, gastroenterologia e pneumologia. Durante o mês de agosto, a Assembleia Legislativa do Paraná é iluminada de azul, como forma de reforçar a campanha junto à população.

Neste ano, as ações promovidas pelo Governo do Estado tem como foco a prevenção de “agravos evitáveis”, como insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensão e outras comorbidades que continuam impactando significativamente a saúde da população masculina.

Dados da Atenção Primária à Saúde (APS) no Paraná mostram que em 2024, apenas 29% dos atendimentos individuais realizados na faixa etária de 20 a 59 anos foram destinados aos homens. Essa baixa procura demonstra o desafio contínuo de superar preconceitos e estimular o autocuidado entre os homens.

Maus hábitos e os custos da negligência

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, realizada pelo Ministério da Saúde e o IBGE, mostra que 30% dos homens não foram ao médico nos 12 meses anteriores ao levantamento. Entre as mulheres, esse índice foi de 17,7%.

Os homens também comparecem menos às consultas odontológicas (45,9%), consomem menos frutas e hortaliças (26,8% contra 37,3% das mulheres), fumam mais (16,2% contra 9,8%) e têm um consumo mais elevado de álcool — quatro em cada dez homens bebem uma vez ou mais por semana, enquanto entre as mulheres a média é de duas em cada dez.

Na saúde mental, o alerta é ainda mais grave: o suicídio é quase quatro vezes mais comum entre os homens (9,9 casos por 100 mil habitantes contra 2,6 entre as mulheres).

De acordo com o governo federal, o risco de morte por doenças crônicas não transmissíveis — principalmente cardiovasculares e respiratórias — é 40% a 50% maior nos homens em relação às mulheres.

Ao longo destes 13 anos, o Agosto Azul tem sido um movimento essencial para mudar essa realidade. A campanha segue firme, reforçando a importância de que os homens se cuidem, vivam mais — e vivam melhor.

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